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Hóquei no gelo

Mudanças em andamento: a troca de linhas sem parar o jogo

Substituir cinco jogadores com o disco em jogo é uma coreografia de segundos — e a origem de metade dos golos sofridos por desatenção.

· Beatriz Salgueiro · 5 min de leitura

Pista de gelo de um pavilhão comunitário vista da galeria superior, com os bancos junto às tabelas
Pista de gelo de um pavilhão comunitário, vista da galeria. Imagem CC0 / domínio público.

Coimbra — Quem vê hóquei no gelo pela primeira vez costuma reparar primeiro nisto: há sempre gente a saltar por cima das tabelas. Não é confusão nem indisciplina. É a mudança em andamento, o mecanismo que permite manter um ritmo altíssimo durante sessenta minutos de tempo útil.

Turnos de quarenta segundos

Uma linha de ataque é formada por três avançados; atrás dela joga um par de defesas. Cada turno em pista dura tipicamente entre quarenta e cinquenta segundos. Passado esse tempo, a intensidade cai de forma acentuada e o treinador prefere colocar em pista jogadores frescos, mesmo que sejam tecnicamente menos dotados.

É por isso que um plantel de hóquei tem quatro linhas de ataque e três pares de defesas. Não são reservas: são peças de rotação, com funções distintas. Há linhas montadas para marcar, linhas montadas para segurar resultados e linhas que existem sobretudo para desgastar o adversário.

A regra que castiga a pressa

A troca faz-se junto ao banco e só é legal quando o jogador que sai está a poucos metros das tabelas e já não interfere com o jogo. Se houver um sexto jogador em pista, mesmo por um instante, a arbitragem assinala excesso de jogadores e a equipa fica em inferioridade numérica durante dois minutos. É uma penalização barata de evitar e cara de sofrer.

As melhores equipas não são as que trocam mais depressa. São as que trocam no momento certo.

Quando trocar é quase sempre errado

O erro clássico é mudar de linha com o disco na zona defensiva. O adversário, que estava atento, entra a toda a velocidade contra jogadores que ainda estão a orientar-se. Muitos golos ditos de contra-ataque nascem exatamente aí, e não de uma jogada brilhante.

A regra prática que os treinadores repetem nos escalões de formação é simples: troca-se quando o disco vai para a frente e nunca quando vem para trás. Quem se habitua a esse princípio cedo poupa à equipa uma quantidade enorme de sustos ao longo de uma época.

Beatriz Salgueirodiretora editorial; escreve sobre hóquei no gelo e recintos

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