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Hóquei no gelo

Gelo ao ar livre: as pistas que servem hóquei e patinagem

Ao ar livre, o gelo depende do vento, do sol e da hora do dia. É por isso que as pistas exteriores têm calendários tão apertados.

· Tomás Quintela · 5 min de leitura

Pista de patinagem exterior vista do alto, com o traçado do anel desenhado no gelo
Pista de patinagem exterior vista do alto. Imagem CC0 / domínio público.

Coimbra — A imagem é sedutora: gelo ao ar livre, montanha ao fundo, patinadores em fila. Do ponto de vista de quem gere o recinto, porém, uma pista exterior é sobretudo uma superfície instável que precisa de ser vigiada do amanhecer ao fecho.

O sol é o principal adversário

A radiação solar direta aquece a camada superficial mesmo com a temperatura do ar abaixo de zero. Por isso, muitas pistas exteriores concentram as sessões de treino ao início da manhã e ao fim da tarde, e reservam o meio do dia para patinagem livre, menos exigente com a qualidade do piso.

O vento tem um efeito duplo: acelera a evaporação e transporta pó e folhas para a superfície. Cada partícula que fica presa no gelo transforma-se num ponto de fusão localizado no dia seguinte. Daí a limpeza sistemática ao fim de cada sessão, mesmo quando o gelo parece impecável.

Duas modalidades, um piso

As pistas exteriores raramente pertencem a uma só modalidade. De manhã recebem grupos de patinagem artística, à tarde escolas de patinagem e ao fim do dia treinos de hóquei. Cada uma prefere um gelo diferente — mais macio para os saltos, mais duro para o disco —, o que obriga a um compromisso permanente entre horários e temperaturas.

Ao ar livre não existe o gelo perfeito. Existe o gelo possível às nove da manhã e o gelo possível às cinco da tarde.

Jogar fora de portas como tradição

A ideia de levar o hóquei para fora dos pavilhões ganhou escala a partir de 2008, quando a liga norte-americana passou a organizar todos os anos um encontro ao ar livre no início de janeiro. O modelo espalhou-se: hoje há partidas em estádios de futebol, em praças e em lagos gelados, quase sempre com assistência muito acima da média da época.

A lógica é a mesma que sustenta as pistas municipais de inverno: aproximar a modalidade de quem nunca entrou num pavilhão. Não substitui a competição regular, mas é, com frequência, o primeiro contacto de uma geração inteira com uma lâmina e uma superfície gelada.

Tomás Quintelaescreve sobre infraestruturas desportivas e cultura de bancada

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