Saltar para o conteúdo
RVRinkVoice

Voleibol

A rotação no voleibol explicada sem jargão

Seis jogadores, uma ordem fixa e um erro que custa o ponto imediatamente: a rotação é a regra que mais confunde quem chega agora.

· Rui Palmela · 5 min de leitura

Campo de voleibol exterior com a rede montada e as linhas marcadas no piso
Campo de voleibol exterior com rede montada. Imagem CC0 / domínio público.

Lisboa — De todas as regras do voleibol, a rotação é a que faz mais gente desistir de perceber o jogo. Vista da bancada parece caos: seis pessoas trocam de sítio a cada ponto e, no entanto, os árbitros só assinalam falta de vez em quando. A lógica, porém, é simples e cabe em três ideias.

Uma ordem que nunca muda

Antes do primeiro serviço, cada equipa entrega uma ordem de entrada em campo. Essa ordem é fixa para todo o set. Sempre que a equipa recupera o direito de servir, todos os jogadores avançam uma posição no sentido dos ponteiros do relógio: quem estava na zona de serviço sai para a linha de trás, quem estava à rede à direita passa a servir, e assim sucessivamente.

A consequência prática é que ninguém escolhe onde quer jogar. Um distribuidor pode ter de começar o set encostado à rede ou no fundo do campo, e é isso que obriga as equipas a desenhar seis configurações diferentes em vez de uma só.

O único instante que conta

A regra de posição só é avaliada no momento exato em que a bola é golpeada no serviço. Até esse instante, cada jogador tem de estar corretamente colocado em relação aos companheiros: o jogador da frente à direita não pode ter os pés mais atrás do que o seu par da linha recuada, e assim por diante. Assim que o serviço parte, toda a gente pode correr para onde quiser.

É por isso que, um segundo depois do serviço, se vê o distribuidor a atravessar o campo a correr para chegar à rede. Não é improviso: é a chamada penetração, e só é possível porque a regra deixou de estar a ser avaliada.

A rotação não decide onde se joga. Decide apenas de onde se parte.

O líbero e as trocas invisíveis

O líbero, com camisola de cor diferente, entra e sai sem contar como substituição e joga sempre na linha de trás. Não pode servir em todas as competições, não pode rematar acima da rede e não pode ser capitão em campo. Existe para melhorar a receção e a defesa sem alterar a ordem de rotação — por isso as suas entradas passam quase despercebidas.

Quando o árbitro assinala falta de posição, o ponto vai imediatamente para o adversário e a equipa faltosa regressa à colocação correta. Não há aviso prévio nem margem de tolerância. Para quem está a aprender a ver o jogo, vale a pena fixar o olhar nos seis jogadores no instante do serviço: é aí, e só aí, que a regra existe.

Rui Palmelaeditor de modalidades de pavilhão; acompanha andebol e voleibol

Leia também

Voltar à página principal